Quando a rotina e a monotonia atingem a relação de um casal, está dado o sinal de alerta de que algo precisa ser feito para reoxigenar a união.
O Swing é uma das alternativas que vêm surgindo para o novo milênio, assumindo lugar de destaque como das mais eficientes. Erradamente definido como simples "troca de casais" o Swing é muito mais que isso: é o aprofundamento da cumplicidade, é a realização das fantasias dos casais, é o estreitamento das afinidades, um misto de libido e ciúme, enfim, é a prática do amor exercido em sua plenitude, sem desconfianças, sem traições, sem mágoa e sem mentira.
No amplo conceito de Swing encaixa-se a simples observação de outras pessoas fazendo sexo (voyeurismo), a transa do casal apenas, mas diante de outras pessoas (exibicionismo), a inclusão de apenas uma
terceira pessoa na relação do casal, com ou sem bissexualismo
(ménage-à-trois) e a troca de parceiros (swing) propriamente dita.
A
prática do Swing deve ser feita por casais que tenham, previamente,
conversado bastante e estabelecido os seus desejos, fantasias e,
sobretudo, os seus limites. O ambiente em que o Swing é praticado deve
ser o mais aconchegante e discreto possível. O clima de
liberalismo não se confunde com falta de modos, grosserias ou
contrariedade. Os verdadeiros "Swingers" (praticantes) são aqueles que,
com um simples olhar ou um leve toque, sabem reconhecer os limites dos
outros. Os casais iniciantes devem optar por ambientes em que
haja uma recepção discreta e uma inclusão amigável no grupo ou casais mais
experientes.
Antes do Swing, o sexo foi desde sempre um vínculo natural: comemos quando temos fome e ficamos satisfeitos, dormimos quando estamos
cansados e acordamos refeitos, mas quando alcançamos um orgasmo
experimentamos um êxtase físico e mental completo. Daí que para os nossos
antepassados considerarem esses sentimentos oriundos dos Deuses e usá-los
para comunicar e adorar esses mesmos Deuses foi um passo óbvio . As
pinturas primitivas não deixam dúvidas de que desde a pré história as
tribos usavam o ato sexual nas suas celebrações ritualísticas.
Testemunhavam a sua reverência ao útero, à fertilidade das mulheres, e à
sua capacidade de gerar a vida. O sexo era algo de
mágico, supremo, o elo de comunicação entre a humanidade e algo
superior.
Quando o homem
percebeu que o membro ereto, fonte de tanto prazer pessoal, era, na
verdade, parte altamente poderosa e importante em todo o ciclo de
fertilidade começou a manobrar a grande virada do sistema matriarcal, em
que o útero era a cálice sagrado, para o sistema patriarcal, transferindo
o culto do útero para o culto do membro. Assim o homem e a
natureza iam celebrando a fecundidade da terra, em rituais de sexo,
nascimento e nova vida. Homens e mulheres participavam na exuberância da
natureza ao ansiarem unir-se e reproduzir-se.
Aproximadamente dez
anos antes de Cristo, de acordo com Herodes, as jovens esposas da
Babilônia adoravam a deusa Mylitta indo ao seu templo pelo menos uma vez
na vida fazer sexo.
Os gregos celebravam
também as suas festas de sexo com expressão a nível nacional, chamadas:
Afrodisia, Dionysia, e Lenea. Em todas elas a população fantasiava-se,
marchando pelo campo e pela cidade até altas horas da noite, altura em que
se iniciavam as orgias pelas ruas.
Os povos aborígenes
do Taiti e da Ilha Vakuta tinham inúmeros lugares próprios para a prática
de sexo em público. Intrigantemente nestas sociedades a abundante
atividade sexual e a escassez de comida levava as pessoas a praticar sexo
em público e a comer as suas refeições em segredo.
No reino de Augusto
César, centenas de Romanos membros do culto Bacchus celebravam orgias
nunca menos de 5 vezes por mês. Mesmo depois da queda de Roma a Europa
pagã continua alegremente a praticar rituais de orgias, em festivais como
“Beltane” e a “Festa dos Tolos”. Só com o surgimento do Cristianismo e dos
discursos sobre a moral estas manifestações espontâneas de sexo começam a
ser reprimidas.
Podemos, talvez,
definir como marco da primeira tentativa de regular a sexualidade, o
episódio em que Deus aparece a Abraão, ordenando-lhe que levasse a sua
mulher, Sara, e seu sobrinho Lot para Canaã, terra que lhes oferecia para
fundarem uma grande nação. Canaã, conhecido agora como Terra Santa, já
estava habitada por povos em que abundava a luxuria e o sexo, e eram
vistos como reles pecadores contra o Senhor, e portanto eram, menos
merecedores do território do que os novos chegados da Babilônia. Em troca
de Canaã, contudo, Deus requereu um sacrifício a Abraão e aos seus
seguidores: o corte duma parte do pênis em circuncisão, como mensagem
original de que o sexualidade é propriedade do poder moral ao qual se deve
obedecer. Desta forma Deus deu
a primeira lição sobre a moralidade usando-a como justificação e
inspiração para a invasão e conquista do território.
Mas é na Idade Média
que se vai construir a visão mais negativa de sempre sobre a sexualidade,
assente no primado da virgindade. Como justificação para a “permissão” da
prática de sexo a generalidade dos padres admitiam, a procriação como
único e essencial fim do casamento.
Com o desenvolvimento da teologia judaica e cristã, foi surgindo
um código ético limitando moralmente as atividades sexuais aceitáveis no
leito matrimonial, sendo pecaminoso qualquer desvio desta limitação.
Contudo, a partir do século XVIII, há uma proliferação de discursos sobre
o sexo. Foi a Igreja Católica, com a Contra Reforma que deu inicio ao
processo de incitação dos discursos sobre sexo ao estimular o aumento das
confissões ao padre. As “insinuações da carne” têm de ser ditas em
detalhe, incluindo os pensamentos sobre sexo . O bom cristão deve procurar
fazer de todo o seu desejo um discurso. E parece que desta forma surgia um
novo prazer.... O prazer de ouvir e o de contar!
No inicio do século
XX, deu-se uma revolução na forma como as mulheres se viam e insistiam em
ser vistas pelo homem. Pela primeira vez
pedem a igualdade em todos os aspectos da vida, quebrando todos os papéis
estereotipados. A introdução dos meios eficazes de controle de nascimento,
e a independência econômica que ela conquista fazem-na tomar consciência
do seu corpo e da revelação de inúmeros prazeres... Esta nova realidade
vai desencadear por volta dos anos 60 uma verdadeira revolução sexual nos
Estados Unidos. O sexo passa a estar na moda, surgem
máximas como “Sex Machine”. Vagina e pênis eram utensílios dos quais não
se devia ter medo, nem reprovar. Não havia lugar para as inibições.Na
década de setenta surgia um forte movimento de reivindicação de relações
extra conjugais entre casais.
Em 1975 o psicólogo
Lake escreve “Não há dúvida que a vida de uma grande proporção de homens e
mulheres casados se tem visto enriquecida graças a relações sexuais
secretas”. Jorge O`Neill acrescenta “A fidelidade sexual é o falso
Deus dos matrimônios tradicionais.” A idéia subjacente a esta prática é
que a verdadeira fidelidade consistia em admitir e pôr em prática as mais
secretas fantasias sexuais, compartilhando-as com o seu par, mesmo quando
elas passam pela alternativa de manter relações sexuais com outras
pessoas.
Nesta conjuntura
poder-se-á entender que o Swing não é historicamente irregular. É
mais um movimento que surge como evolução natural da expressão da
sexualidade humana, tendo como fundamento o envolvimento sexual em grupos,
orgias, e à de troca de casais, prática esta que tem sido historicamente
mais discreta. É uma forma de convívio sexual entre adultos, casados, ou
pelo menos com uma vida em comum, que decidem pôr de lado as inibições
para explorar a sua sexualidade, dando vida ás fantasias, compartilhando a
sensação de inúmeros prazeres novos com o seu par.
Sendo o Swing antes
de tudo uma atividade social, os hábitos de cortesia não são diferentes de
outro tipo de encontros sociais. A delicadeza é muito importante, assim
como o tato para perceber se há reciprocidade da outra parte. Se não sente
vontade de estar com certa pessoa, e ela ainda não o entendeu, diga-lhe de
forma delicada. A outra pessoa
apenas terá de aceitar educadamente o seu não, e sobretudo não perguntar
porquê para evitar situações embaraçosas. Para quem se inicia no Swing
existirão certamente algumas dúvidas e receios. A boa comunicação e
entendimento entre o casal é fundamental, para definirem, e manterem em
mente o que pretendem na sua relação Swing.
O Swing tende a
funcionar bem quando é encarado como um incremento à relação sexual do
casal e não como o salvamento para um casamento problemático, pois é
importante lembrar que o sexo tende potencialmente a ser uma área
emocional, e o prazer que se pode encontrar no Swing geralmente apenas é
alcançado quando ambos estão atentos ás necessidades de cada um, e colocam
o conforto do seu parceiro em primeiro lugar. Provavelmente será
mais fácil iniciar o seu relacionamento neste meio conhecendo primeiro um
casal que depois possa lhes apresentar a outros. Quando estiver com outros
casais, lembre-se que é importante manter-se perto do seu parceiro e ir
prestando-lhe pequenas atenções, para que o seu par não se sinta
abandonado, inseguro ou ciumento.
O Swing pode assumir
várias formas ou modalidades, seja qual for a escolhida estará tudo bem
enquanto o casal estiver em sintonia e certo de que está a fazer o que
realmente pretende. Infelizmente o swing ainda não pode ser tratado
como algo "normal". Você não pode contar para um colega do trabalho que
você faz swing ou até uma mulher contar as amigas que é bi. Com certeza
muitas pessoas acharão estranho. Algumas podem ter tamanho preconceito que
queiram se afastar de você ou até ter pessoas desagradáveis na sua "cola"
para poder tirar uma casquinha. Mas todos estão sujeitos a isso, por isso
é importante ter cuidado com quem se envolve e o papo sincero é a melhor
forma de conhecer as pessoas e seus limites.
Mas tudo isso vale a pena
quando você encontra o parceiro certo (casal ou mulher) e tem vários
momentos gostosos e de cumplicidade juntos.
Encarar o swing ou o
ménage como um tipo de namoro simplifica bastante. A aproximação, os
primeiros encontros, a timidez inicial e até mesmo a primeira transa, são
muito parecidos com o relacionamento com um namorado ou namorada. A
diferença é que você não pode exigir do seu parceiro(s) (casal ou mulher)
que eles tenham as "obrigações" de namorados com você (ligar quando chegar
em casa, nunca viajar sozinho sem permissão, contar como foi o dia de hoje
ou fidelidade).