Ter um orgasmo é um revelar-se, e envolve uma perda de controle por alguns instantes, o que pode ser reprimido por mulheres muito racionais e controladoras de suas vidas e que sentem medo em perder o autocontrole, mesmo que seja por prazer.
A mídia propõe e
reforça um modelo de mulher muito diferente da realidade da grande maioria.
Espera-se que as mulheres sejam desejosas por sexo e mais que orgásticas, que
tenham orgasmos múltiplos! Todas as mulheres, jovens, adultas ou já na 3ª idade,
homo e heterossexuais sofrem com essas cobranças e podem correr o risco de viver
essa dificuldade de prazer.
Por essa cobrança de perfeição, muitas
mulheres ainda hoje fingem orgasmo. Seria mais saudável conhecer seu corpo,
conversar com o parceiro e aprender a desfrutar da delícia que pode ser uma boa
transa. Mas de forma solitária isso também é possível através da
masturbação.
Há mulheres que só atingem o orgasmo por meio da masturbação, em sonhos ou com o sexo oral, muitas vezes isso demonstra que essa mulher, ou melhor, que esse casal precisa aprender a escolher uma posição sexual que ajude a continuar a estimulação do clitóris durante a penetração, para que haja uma maior possibilidade de ter o orgasmo na hora da transa.
A melhor posição é aquela que a mulher e o
parceiro se sintam mais confortaveis e que permita que eles continuem
estimulando o clitóris. Uma opção pode ser a posição colher: a mulher de lado
com o homem por trás. Mas também pode ser a mulher por cima, que possibilita um
melhor controle dos movimentos e estimulação do clitóris.
Como é
esse orgasmo?
Um orgasmo dura, em média de 2 a 10 segundos e traz a
sensação de um intenso prazer, seguido de uma sensação de relaxamento e alívio,
uma sensação de desligamento do meio externo, chamada por Kinsey de "la douce
mort"- uma doce morte.
É importante que essa mulher não se sinta
inferior como mulher, pois orgasmo é um só. Esses conceitos Freudianos de que
existem orgasmo vaginal e orgasmo clitoriano estão ultrapassados, pois desde as
pesquisas de Máster e Johnson na década de 60 considera-se que são uma coisa só,
ligados pelo grande centro de prazer que está no cérebro.
Técnicas para atingir o orgasmo
-
A masturbação é um treino importantíssimo para as mulheres que, por uma educação
repressora, não conhecem as sensações corporais. Conhecer o corpo e também a
genitalia estimula a descoberta do prazer a caminho do orgasmo e do próprio
orgasmo.
- A masturbação pode ser um aprendizado importante se e você for daquela que se distrai facilmente olhando a cortina que descosturou, pois te ajuda a concentrar nas suas sensações.
- Se você fica ansiosa quando está transando a masturbação pode ser um bom recurso, pois é uma boa possibilidade para você exercitar sua sexualidade sem se sentir "avaliada" diante do parceiro.
- Se você se queixa por não sentir prazer com a estimulação do clitóris ou pela demora em atingir o orgasmo, você pode, literalmente, lançar mão do uso de vibradores ou massageadores que irão te estimular e te ajudar a descobrir novas senações.
- Conheça seu corpo e aprenda a desfrutar das suas sensações, perceba o prazer quando passa uma bucha na hora do banho ou na hora de passar um creme, lentamente, pelo corpo todo.
- Ao tomar posse do seu corpo e aprender a
desfrutar das sensações que ele oferece, aí sim, divida com o parceiro suas
preferências. Diga a ele onde as carícias te estimulam mais, como você prefere
que ele faça. Isto costuma dar bons resultados.
- Relaxe isto ajuda
muito e impede aquela cobrança contínua do 'tenho que conseguir'.
- A
leitura de textos específicos sobre o tema ou ver alguns vídeos ajudam você a
ver o caminho a ser percorrido.
Por que muitas
mulheres têm dificuldade em atingir o orgasmo?
A queixa de não atingir o orgasmo é uma das
mais freqüentes entre as mulheres que buscam terapia sexual. Essas mulheres
trazem junto com a frustração de não atingirem o orgasmo, a sensação de
insatisfação, de irritabilidade e de baixa auto-estima por se considerarem
incapazes. Essa dificuldade leva a inúmeros problemas e insatisfações no
relacionamento.
A falta de orgasmo, chamada de anorgasmia, em geral é um
problema que é composto por questões emocionais, educacionais e por vezes também
por questões orgânicas - principalmente hormonais.
Podemos dividir as queixas da falta de orgasmo dois tipos:
· Mulheres que nunca conseguiram ter a sensação de orgasmo
·
Mulheres que conseguem ter a sensação de orgasmo com algumas estimulações como
na masturbação, no sexo oral ou com manipulação do clitóris
Essas
mulheres que nunca atingiram o orgasmo têm, na maioria das vezes, uma história
de uma educação e uma religiosidade, repressoras da sexualidade e do corpo, com
uma visão distorcida da sexualidade associada a pecado, imoralidade, sujeira,
nojo... e carregam o grande medo de serem punidas por se sentirem pecadoras por
ter uma vida sexual.
Muitas mulheres não conhecem seu corpo, nem
anatômicamente, por exemplo: onde fica o clitóris; a diferença entre o canal
vaginal (por onde ocorre a penetração do pênis, por onde é mensalmente eliminada
a menstruação e por onde sai o bebê caso a mulher tenha parto normal) e o canal
da uretra por onde se elimina a urina. A não obtenção do
prazer também pode ser decorrente de situações como uma iniciação sexual muito
traumática.
Com relação às mulheres que nem sempre atingem o orgasmo ou já tiveram essa sensação em algum momento de suas vidas, é preciso observar diversos fatores. Primeiramente, deve-se verificar possíveis problemas ginecológicos, por exemplo uma ferida, uma infecção ou um ressecamento vaginal causado por uma alteração hormonal, como acontece muito freqüentemente em mulheres após a menopausa ou depois de uma cirurgia da retirada do útero e ovários. Todos esses aspectos podem interferir no orgasmo e devem ser tratados por um ginecologista.
Muitas mulheres em determinadas épocas de suas vidas deixam de
sentir prazer. Isso pode acontecer após a maternidade, pois acreditam que já
cumpriram com seu papel progenitor e se desinteressam pelo sexo. Há ainda
aquelas que por motivos de estresse, trabalho excessivo ou pela falta deste, e
também por terem sido ou por acharem que foram traídas pelo companheiro, podem
vir a apresentar dificuldades no orgasmo. Não podemos deixar de falar das
mulheres que na menopausa passam a acreditar que sua vida sexual acabou ou se
sentem envelhecidas e desistem de viver uma vida com prazer, inclusive no sexo.
Quando falamos da dificuldade de orgasmo, precisamos pensar na disfunção
de ejaculação rápida, ou gozar rápido, pois quando seus parceiros são rápidos
demais não conseguem proporcionar prazer às suas parceiras.
Prazer dividido
Muitas mulheres questionam não
conseguirem obter prazer com uma determinada pessoa e com outra sim. É sempre
importante lembrar que para a maioria das mulheres o sexo ainda está relacionado
a algum afeto e à qualidade desse relacionamento, a confiança existente,
cumplicidade, ao desejo ou admiração e aí elas conseguem viver o orgasmo numa
relação de eroticidade.
Para a maioria das mulheres o orgasmo não é uma
reação automática ou meramente um roçar de corpos desvinculado de afeto, como
ocorre mais freqüentemente entre os homens. Mas não podemos deixar de levantar
um aspecto interessante: ter um orgasmo é um revelar-se, e envolve uma perda de
controle por alguns instantes, o que pode ser reprimido por mulheres muito
racionais e controladoras de suas vidas e que sentem medo em perder o
autocontrole mesmo que seja por prazer.
Pense quais dessas questões citadas podem estar se referindo a
você, repressão, desconhecimento do corpo, vergonha, falta de motivação. Começe
a analisar como mudar essas tendências que você tem alimentado em sua vida.