Há pouco tempo ficou comprovado
que as massas não engordam. Agora, acaba de cair outro mito da
nutrição: a cerveja não aumenta o perímetro do abdômen. Segundo
pesquisadores de Reino Unido, República Checa e Espanha, não há
razões para culpar a popular bebida pelo aumento do tamanho da
barriga.
Há poucos meses ficou demonstrado cientificamente
que a afirmação "as massas engordam e não alimentam" é equivocada.
Durante anos, a popular comida italiana foi erroneamente apontada
como um alimento calórico, enquanto seus benefícios nutricionais
foram esquecidos.
Porém, agora se sabe que a obesidade é
causada pelo consumo excessivo de gorduras e não de carboidratos, o
principal nutriente das massas, cujo consumo entre quatro ou cinco
vezes por semana é até recomendado por especialistas.
Agora
está sendo derrubado outro dos grandes falsos mitos da nutrição, com
a comprovação de que, se existe um responsável pelo aumento da
barriga, este não é a cerveja, que é pouco calórica em relação a
outras bebidas alcoólicas. O fato de a cerveja gerar aquela
barriguinha é um mito infundado, segundo recentes estudos
científicos.
Cerveja com moderação, não engorda Uma
equipe de pesquisadores do Reino Unido e da República Checa fez um
estudo, para o qual entrevistaram um grupo de checos, considerados
os maiores consumidores de cerveja do mundo, não encontrando nenhuma
relação científica entre a quantidade de cerveja consumida e as
dimensões da barriga.
O especialista Martin Bobak, da
University College de Londres, e seus colegas do instituto de
Medicina Experimental e Clínica de Praga entrevistaram 891 homens
checos e 1.098 mulheres, com idades entre 25 e 64 anos.
Entre
os selecionados havia alguns que tomavam cerveja ocasionalmente,
outros que não tomavam e poucos que bebiam em abundância. Todos
passaram por um exame médico e tiveram aferidos a cintura e o peso,
para que fosse calculado o índice de obesidade.
"Se existe o
vínculo entre a cerveja e a obesidade, é muito frágil", concluíram
os pesquisadores, desmentindo a crença comum segundo a qual a
obesidade está relacionada com o consumo de cerveja em grandes
quantidades.
"É comum achar que os que tomam cerveja são mais
obesos que os que não bebem ou tomam vinho, mas não é verdade",
afirmam os pesquisadores.
No entanto, Nigel Denby, da
Associação Britânica de Nutrição, pediu aos amantes da cerveja que
não se aproveitem do estudo para correr aos bares. "Se quiserem
beber, devem fazer isso sempre com moderação", acrescentou o
especialista.
A queda do mito da "barriga de cerveja" se vê
reforçado por outro estudo de especialistas espanhóis, segundo o
qual o consumo moderado de cerveja não altera o peso nem a massa
corporal.
A especialista Ascensión Marcos, do Departamento de
Metabolismo e Nutrição do Conselho Superior de Pesquisas Científicas
espanhol, ressalta que "a cerveja é uma bebida composta por quatro
ingredientes naturais, que contém muito pouco álcool, nada de
gordura e 45 calorias por cada 100 mililitros
ingeridos".
Segundo a pesquisadora, o problema do sobrepeso é
a quantidade de calorias ingeridas: "As recomendações dietéticas
asseguram que o consumo de 2000 calorias para as mulheres e de 2500
para os homens está dentro da normalidade, por isso, uma cerveja ao
dia equivaleria a 3,5 por cento da ingestão calórica diária
recomendada".
Barriga é uma predisposição
genética Muitas pesquisas confirmam que o consumo moderado de
cerveja não altera a massa corporal nem o peso. Além disso, se
descobriu que a barriga é causada por uma predisposição genética que
favorece a acumulação de gorduras ao redor do
abdômen.
Aqueles que carregam esta predisposição tendem a
desenvolver gorduras abdominais, embora nem todos cheguem a engordar
se seguirem uma dieta equilibrada e realizarem
exercícios.
Segundo a especialista espanhola, o aporte
calórico da cerveja é similar ao de bebidas refrescantes à base de
cola ou sucos de fruta. Além disso, é muito inferior à de outras
bebidas alcoólicas, como as 312 calorias do anis, as 244 do uísque
ou as 60-80 do vinho de mesa.
"De qualquer maneira, a cerveja
sempre deve ser consumida com moderação, ao passo que o princípio de
uma alimentação saudável e equilibrada, que aporte todos os
nutrientes necessários para satisfazer as necessidades metabólicas,
deve ser respeitado", destaca Marcos.
Gerard Vachonfrance,
psiquiatra francês especializado em alcoolismo e chefe de
Atendimento do Hospital Gilbert Raby de Paris diverge da linha da
Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo a qual nenhuma
quantidade de álcool é recomendável, por mínima que seja: "Beber
moderadamente contribui para uma menor freqüência de problemas
cognitivos relacionados à idade. Além disso, pode diminuir o risco
de doenças senis, como o mal de Alzheimer".
"O consumo
moderado de cerveja, de dois copos diários para a mulher e de quatro
copos diários para o homem, tem efeitos benéficos sobre o equilíbrio
psicológico e emocional, além de um papel preventivo contra diversos
transtornos que todos sofremos em alguma medida ou momento, como a
depressão leve ou as fobias", destaca.
Psicologia de
botequim Segundo este psiquiatra, um consumo moderado de
cerveja tem um certo papel preventivo, ao evitar o agravamento de
alguns estados neuróticos, como a ansiedade, a inibição e a
tristeza, podendo ainda ser um fator de equilíbrio na vida de uma
pessoa.
A cerveja não só faz parte da cultura de muitos
povos, como fomenta as relações sociais e o contato entre as
pessoas: "Dividir uma cerveja é compartilhar um bate-papo e o calor
humano. Um copo desta bebida permite exercitar o pensamento,
expandir a consciência, chegar aos outros, em suma,
empatizar".
Altos e baixos no humor, dificuldades para
acordar, solidão, visão pessimista do futuro, inquietação, falta de
sentido na vida, medo, desmotivação, sensação de ter um peso na alma
que nos impede de falar, atuar e nos relacionar. Segundo
Vachonfrance, estas sensações que todos temos em algum momento podem
desaparecer com "um copinho de cerveja", evitando que progridam e se
agravem até se tornarem um transtorno severo, que possa requerer
tratamento profissional.
Em seus 35 anos de experiência em
contato com o consumo de álcool e com pessoas de todo tipo de
profissão, o psiquiatra francês ouviu muitas vezes que "um copo de
cerveja ajuda as pessoas a viver", com o que ele concorda, sempre e
quando seu consumo for moderado e não se tornar
excessivo.
Isto deve ser entendido como uma garantia de saúde
para os que já apreciam a cerveja, mas nunca como um convite ao
consumo para os que não são fãs desta bebida.