Uma sexóloga britânica, Petra
Boynton, está em campanha contra quem sai por aí dando conselhos sobre
sexo em jornais, revistas e programas de TV. Segundo ela, esses "sexperts"
não têm experiência nem conhecimento sobre o assunto e se prestam a
repetir clichês que quase nunca correspondem aos fatos.
Vale a pena
reproduzir aqueles que, segundo Petra, são os dez mitos sobre a mulher
mais freqüentes entre os comentaristas de sexo. Reconheço que cheguei a
acreditar em pelo menos três desses equívocos: mulheres não se excitam
visualmente como os homens (descobri que elas só se omitem de comentar);
elas são sexualmente complexas, enquanto os marmanjos excitam-se num
segundo (ainda acho a palavra "complexas" muito apropriada); o clitóris é
uma versão diminuída do pênis (eu devia ter desconfiado que não tinha
cabimento).
Os outros chavões nunca me convenceram: uma mulher sabe
intuitivamente como dar prazer a outra; preliminares e penetração não se
misturam; demora uns 20 minutos para que a mulher se excite; mais de 40%
das mulheres têm alguma disfunção sexual; elas alcançam seu ápice sexual
aos 40 anos; todas se excitam com a carícia lenta e circular do clitóris;
se você quer que sua parceira faça algo gema quando ela acertar, nunca
mostre ou diga.
Em matéria de sexo, todos temos nossas
generalizações, que são conclusões apressadas por natureza, mas muito
eficientes quando ditas com convicção. Tenho os meus mitos particulares. O
principal é que mulher gosta de ser tratada com respeito até que haja
intimidade e confiança suficientes para que a bandalheira se
instale.
Homens muito delicados, excessivamente cuidadosos, que
acariciam a namorada como se elas fossem desmanchar, podem ser caras
legais, mas não são másculos. Tem que pegar com força e determinação,
segurar pela cintura, puxar os cabelos, apertar o que estiver disponível.
Não pode machucar, só fazer de conta. Parece fácil, mas exige treino e
concentração.
O abraço, diferentemente do beijo, que permite
infinitas variações, segue esses fundamentos, para mim, universais. No
limite, ele é feito para imobilizar, manter os copos unidos pelo maior
tempo possível. Entre amantes, anuncia o grau de posse, entrega e desejo:
se não for intenso, desesperado, melhor dar um tapinha nas costas, um
beijo na testa e sair de fininho. Não é um conselho. Apenas um comentário.
Fonte: Folha UOL